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Das duas às três

  Das duas às três       É um conforto desconfortante encontrarmo-nos aqui novamente. Respiro fundo e fecho os olhos, pouco a pouco, e pouco a pouco me deixo levar. Tudo o que oiço é o silêncio e o leve som da ventoinha pousada a um canto da sala, enquanto caminho para um subconsciente perturbado.   De longe, um vulto surge e saltita por Bordéus até que num ápice um vagão tudo interrompe e o fumo invade-me os sentidos...   Um vulto passa e a midríase não se evita Olá de novo, pequena memória que levita No fundo da minha consciência, onde procurei dar-te um canto Prossegue, e consegue, trazer-me um desalento e tanto.   E aqui nos encontramos, uma vez mais neste divã, Perguntam-me a história do meu contencioso, Perco-me a ponderar – “Consciência pesada, hã?” Insinua o pseudo-psicanalista pretensioso.   Rabisca umas notas, e nunca para de me encarar “Um, oito, sete, três, é-lhe familiar?” Como poderia não ser? Foi as...